CEF FINANCIA TRUMP TOWERS NA ÁREA PORTUÁRIA DO RIO COM RECURSOS DO FGTS!
1. Nada contra a construção de Torres de Escritórios na “Praia Formosa”, na Avenida Francisco Bicalho, no Rio. Afinal, essa não é área original, mas derivada de um grande aterro feito num braço de mar que ia até onde está hoje a Praça da Bandeira de um lado e o Campo de Santana do outro. Aterrada em 1905-1908, no programa de reforma urbana do Rio, a área não tem valor histórico-patrimonial. Aliás, já se pensou até um Estádio de Futebol ou uma Grande Arena para ali. Mas...
2. Mas, o x da questão tem três X. X-1: A CEF, conforme informa o Globo (19), vai participar do grande empreendimento usando as CEPACs que comprou. A CEF as comprou num leilão sem interessados. Mas as CEPACs se valorizariam e a CEF remuneraria o FGTS de onde sacou mais de 3 bilhões de reais para as obras na área portuária. Agora isso dependerá do sucesso do empreendimento. Mas o Globo informa que das cinco, só duas serão construídas e as outras três dependerão de haver mercado. Não havendo...
3. Outro x: X-2. Quando o Conselho do FGTS autorizou a CEF aplicar aqueles mais de 3 bilhões de reais no projeto de revitalização da área portuária, sua decisão foi muito clara: como contrapartida, o correspondente a 100% desse valor teria que ser aplicado em habitação (se imaginava popular) e saneamento. Trump Towers de escritórios, começando com duas, não é exatamente isso.
4. X-3: Poucos meses atrás, foi divulgado um projeto de prédios de um consórcio com a Odebrecht, tendo a prefeitura garantido a compra de imóveis por seus servidores. Ali seria a Vila de Juízes, que depois seria transformada em apartamentos. Mas será que a Odebrecht desistiu? Afinal, edifícios residenciais com um enorme paredão de Torres (Trump) na sua frente não seria uma paisagem agradável.
5. E não fica por aí. Há pelo menos mais dois y da questão. Y-1: Ali é um aterro (Praia Formosa, lembre) com tecnologia do final do século 19. Por isso, a Francisco Bicalho enche tanto com chuvas. Os pilares e fundações das torres de 38 andares deveriam levar isso em conta. E mais que isso: todo, todo o sistema de drenagem da avenida e seu entorno terá que ser refeito. Há projeto? Quem fará?
6. Y-2: Ali é um funil de tráfego que vem do Centro, das Zonas Norte e Sul e que desemboca na Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói e, pelas laterais, em São Cristóvão. E vice-versa. Um conjunto de escritórios em que a lógica é a mobilidade dos que usam e trabalham ali vai multiplicar os graves problemas de tráfego que já existem ali. Há projeto de mobilidade? Ou se espera os super-engarrafamentos? Aguarda-se a solução dessa equação de Xs e Ys.
7. (Globo, 19) A Zona Portuária do Rio será a porta de entrada de negócios do bilionário americano Donald Trump no Brasil. O filho mais velho do executivo, Donald Trump Jr, anunciou uma parceria com investidores privados e a Caixa Econômica Federal para a construção de cinco torres comerciais, com 38 andares cada, na Avenida Francisco Bicalho. As duas primeiras Trump Towers começam a ser erguidas no segundo semestre de 2013, com previsão de conclusão até os Jogos Olímpicos de 2016. As outras três torres serão construídas conforme a demanda do mercado. A Caixa entrou no negócio por ser gestora do Fundo Imobiliário do Porto Maravilha, que tem a exclusividade para vender os chamados Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs). As Cepacs permitem aos investidores construir acima de gabaritos mínimos determinados para a área. Nesse caso, a Caixa optou por entrar como sócia do empreendimento, em vez de vender as Cepacs.

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